quinta-feira, 18 de março de 2010

Recordar o Poema para Galileo



Poema para Galileo


Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar — que disparate, Galileo! —
e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas — parece-me que estou a vê-las — ,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.

Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

António Gedeão





quarta-feira, 17 de março de 2010

Sidereus Nuncius


Galileo estava ciente que as suas observações com a luneta astronómica iriam mudar radicalmente a visão do Universo e libertar o pensamento e o conhecimento da autoridade exercida por Aristóteles desde a Antiguidade Clássica, durante quase dois mil anos.

Decide, então, comunicar parte dessas descobertas aos seus contemporâneos num livro subtilmente intitulado Sidereus Nuncius, que significa O Mensageiro das Estrelas.


Frontispício de Sidereus Nuncius


Publicado em Março de 1610, em Veneza, dedicou-o a Cosimo II de Medici, grão-duque da Toscânia, que o nomeia matemático da corte.

Ao longo das 60 páginas, escritas em latim, descreveu o aspecto montanhoso da superfície lunar, revelou a existência de inúmeras estrelas até então desconhecidas e mostrou que Júpiter possuía quatro satélites a que chamou Medicea sidera (Astros mediceus) em honra do seu protector.






























Cinco desenhos da Lua nas fases de Quarto Crescente (dois) e Quarto Minguante (três), mostrando a linha de separação entre as regiões diurna e nocturna que é regular nas planícies e quebrada nas montanhas.



É a tradução deste livro para português, feita pelo físico e historiador da ciência Henrique Leitão, que hoje foi apresentada na Fundação Calouste Gulbenkian
.

Galileo Galilei


Neste retrato, um dos últimos de Galileo, o físico e astrónomo de Pisa está sentado numa cadeira sobre cujo braço apoia a mão esquerda, enquanto segura na outra mão uma luneta astronómica.

Não foi Galileo o inventor do telescópio de refracção. Mas, ao aperfeiçoar este instrumento com o fito de observar objectos distantes, construiu em 1609 a primeira luneta astronómica que lhe permitiu descobrir as montanhas da Lua e quatro luas de Júpiter — Io, Europa, Ganimedes e Calisto.

As suas observações astronómicas levaram-no a defender o sistema heliocêntrico, proposto por Copérnico, refutando a antiga crença de que a Terra era o centro do Sistema Solar e do Universo.
E também a concluir que, ao contrário do que se pensava na época, a Via Láctea não era uma nuvem mas sim um conjunto de estrelas de que o Sol fazia parte.

A defesa do sistema heliocêntrico criou-lhe um conflito com a Igreja Católica Romana que lhe instaurou um processo e, após vários meses de prisão sob ameaça de tortura, o forçou a fazer uma retractação pública e o condenou a prisão domiciliária até à morte.


Mas o que tornou Galileo num dos maiores vultos da Ciência foi a criação de uma nova metodologia para estudar os fenómenos físicos, substituindo o método aristotélico, puramente racional e que provocara a estagnação do conhecimento durante a Idade Média, pelo método experimental. E o uso da linguagem matemática para traduzir os resultados das observações.

Em 1590, o estudo da queda dos corpos, usando o plano inclinado para retardar o movimento, permitiu-lhe formular a lei dos percursos dos graves serem directamente proporcionais ao quadrado dos tempos.
E também descobrir o princípio da inércia, um dos axiomas da Mecânica Newtoniana que, com a constância da velocidade da luz no vácuo, constitue o par de postulados em que se baseará a futura Teoria da Relatividade Restrita.


quarta-feira, 10 de março de 2010

Plano inclinado XVI - Tendências educativas em Portugal e a contratação de médicos aposentados



Absolutamente a ver por pais e docentes.
Uma excelente lição de Física, uma lição de Pedagogia e muito bom senso.




quinta-feira, 4 de março de 2010

Bullying



You cannot escape the responsibility of tomorrow by evading it today.
Abraham Lincoln



O drama de uma criança de 12 anos que frequentava a EB2,3 Luciano Cordeiro, em Mirandela, que alegadamente se terá atirado para as águas do rio Tua, depois de ter afirmado a um familiar que não suportava as agressões de que era vítima por parte de outros alunos, tem várias causas.

Causas políticas, como sejam a criação de uma legião de subsídio-dependentes a quem não é exigido qualquer trabalho em prol da comunidade, apenas que se inscrevam nos cursos Novas Oportunidades, a inclusão forçada de adolescentes que trazem a lei da selva para dentro dos muros da escola e o facilitismo no ensino.

O acréscimo de famílias desorganizadas e a perda de valores como o respeito e o mérito, ao ponto de professores serem menosprezados por algumas chefias se se empenharem no trabalho, indo contra a corrente da acomodação, serão algumas das causas sociais.

Quando tinha, como docente, um problema numa turma costumava ouvir as opiniões dos alunos e orientar a discussão de modo a promover testemunhos e argumentos que revelassem algum conhecimento sobre o assunto e respeito por um código de ética. Daí se transcreverem alguns dos comentários à notícia:


Pai revoltado, com o imobilismo de alguns bananas. 04.03.2010 16:43
O meu testemunho
Por detrás desta tragédia estará, certamente, um percurso de agressões que, ao não ser interrompido na altura própria, terá dado no que deu. Acredito que algumas vezes estas coisas acontecem com o conhecimento e imobilismo das Direcções das escolas.
Um filho meu sofreu de bullying no ano passado, na escola dele. Contactei várias vezes a sua Directora de Turma que, acreditem, achava que a solução estaria a jusante e não a montante. Ou seja, para ela, a solução era o meu filho não responder aos actos animalescos dos 2 ou 3 colegas que o insultavam constantemente e com ameaças constantes de agressão física, fazendo-o ter medo de ir para as aulas. Em relação aos agressores nada fazia.
Um dia, estando o meu filho numa aula, mandou-me uma mensagem a dizer “Estou ameaçado de pancada à saída da aula”. Respondi-lhe “Se ele começar, desfaz o gajo”, respondeu-me “Mas são 4”.
Posto isto, telefonei ao Conselho Executivo, que ainda me “puxou as orelhas”, pois eu nunca deveria ter aconselhado o meu filho a responder fisicamente a uma agressão física! Ainda tiveram o desplante de me dizerem que o meu filho não estava a integrar-se bem na nova turma.


mc , Algures. 04.03.2010 17:03
Triste fim
Pobre menino de 12 anos que triste fim. A vítima nunca é levada a sério, nem acompanhada pelos serviços de psicologia. Se tem acompanhamento é porque os pais estão muito atentos e conseguem-no através dos centros de saúde ou particular, porque o serviço de psicologia das escolas está disponível para acompanhar os agressores, necessitam de perceber as suas motivações.
Então quais são? Não é difícil de descobrir, alunos de 14 e 15 anos só pretendem demonstrar relativamente aos mais pequenos que são mais fortes, esses tipos nunca se metem com alunos da mesma idade.
Relativamente à escola (Direcção e Director de Turma) é de lamentar, deveriam averiguar antes, durante e depois, mas só resta o silêncio. Que escola é esta que protege os agressores e nada faz pelas vitimas?
À família, um abraço e que nunca se deixem silenciar, que lutem até às ultimas consequências.



Vp , Lz. 04.03.2010 17:55
A covardia dos "fortes"
A covardia dos "fortes", e não me refiro só aos adolescentes que agrediram, mas também aos adultos que se escondem atrás da mentira em que se tornou as suas vidas, como esse Sr. Representante dos pais. Gostaria de escutar as suas palavras se a criança que se suicidou fosse um dos seus filhos.
Toda a escola tem responsabilidades, assumam-nas de uma vez por todas e pelo menos trabalhem para que no futuro não aconteça mais lágrimas e dor. Pobres pais, pobres famílias, pobre ensino ao que chegastes!



Anónimo , Localidade, País. 04.03.2010 18:18
Bullying
Bullying é o termo utilizado para este tipo de comportamentos altamente destrutivo em termos emocionais e psicológicos, perpetrados geralmente contra crianças que são bons alunos e populares entre os colegas. O comportamento consiste em fazer guerra psicológica ao alvo minando-lhe a auto estima através de humilhações, abusos e até agressões constantes. Nos EUA, o bullying é atribuído como causa dos fenómenos de tiroteio nas escolas, em que os alvos estando de tal forma destruídos emocional e psicologicamente recorrem à violência extrema ou ao suicídio.
O mesmo se passa nos locais de trabalho, o workplace bullying que é extremamente frequente no Reino Unido e nos EUA, que consiste em desacreditar e descredibilizar um alvo, recorrendo a humilhações, repreensões e abuso psicológico constante. Tal como nas crianças o workplace bullying acontece a indivíduos competentes que estão particularmente dependentes do emprego. Tem o mesmo poder destrutivo.


Catani , Portugal, la piovra. 04.03.2010 19:17
Srs. Directores da Escola
Srs. Directores da Escola, Srs. Professores, Srs. Funcionários, Srs. do hospital que assistiram o Leandro. Srs. da Associação de pais, Srs. do ME:

Se eu não tivesse feito tudo o que estava ao meu alcance para ajudar o pequeno Leandro. Se eu, por ter erguido uma barreira, não tivesse possibilitado um pedido de ajuda. Se me chegasse um relatório a dizer que na Escola não existiam casos de bullying, e eu não tivesse entrado em alerta porque em todo o lado há casos de bullying. Se um aluno meu tivesse sido hospitalizado, a mãe tivesse já vindo à Escola implorar ajuda, e enquanto se procura o corpito do filho eu viesse dizer aos jornais que na minha escola não há registos de casos;
Então meus senhores eu não conseguiria viver, com a imagem da criança a fugir dos agressores, vendo toda a gente a virar a cara ao lado, sonhando com uma reforma dourada.
De noite iria acordar com o pesadelo da minha culpa por omissão, no homicídio por negligência grosseira, vejo-a a despir-se, a entrar na água gelada e sobretudo a despedir-se de todos nós enviando uma última mensagem, que cobardemente eu fingi durante anos não perceber, e mesmo hoje mais não faço do que sacudir a água do capote.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Tempestade na ilha da Madeira IV




Lê-se e não se acredita.

É certo que pagaram as suas férias e têm o direito de usufruí-las. Mas será que nunca perderam um familiar ou um amigo?
É que não conseguem compreender o sofrimento dos madeirenses, nem mostrar um pingo de humanidade. Serão robots?

Nem sequer se apercebem que podiam estar na baixa do Funchal no momento da enxurrada e ter o mesmo destino da cidadã britânica que foi arrastada pela lama e pereceu.

Tempestade na ilha da Madeira III



Esta tragédia foi anunciada em Abril de 2008 no documentário Biosfera da RTP2:






Agradece-se a informação dada pelos comentadores falaraverdade , Funchal, Portugal. 25.02.2010 10:48 e josé, funchal. 25.02.2010 15:10.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Tempestade na ilha da Madeira II



Desflorestação e construção em linhas de água acarretam graves prejuízos materiais e perdas de vidas humanas, como os madeirenses acabam de aprender em sofrimento.
Para que uma tal tragédia não se repita, merece alguma reflexão duas opiniões transcritas do Público.

A primeira, do geógrafo e antigo vereador do ambiente da Câmara Municipal do Funchal, Raimundo Quintal, considera que esta tragédia era "expectável". E acrescenta:

" Não é altura de procurar razões ou responsáveis. O que aconteceu, aconteceu e não há dúvidas de que era expectável, embora com uma cumplicidade alargada, pois choveu imenso, do mar à serra.
(...) [O] que vi hoje e sábado, infelizmente, leva-me a temer que o número de mortos vai subir muito e o apelo que faço é que todos sejamos capazes de ter ânimo para recuperar esta nossa linda cidade e ilha, que têm uma paisagem soberba mas em que, por vezes, a Natureza se enraivece.
"

O geógrafo e especialista em questões ambientais, que na década de 90 iniciou um plano de reflorestação das serras funchalenses, com a criação do Parque Ecológico do Funchal, concluiu:

" Espero que todos saibamos aprender com os erros cometidos. "


A segunda é um comentário de quem conhece profundamente as linhas de água no concelho do Funchal:


EGP, FX. 21.02.2010 22:12

Grandes Males, pequenos remédios (1)

Muito do que aconteceu tinha sido anunciado! Deixemos isso para depois... Por agora, pensemos o que fazer... Para remediar um pouco do que foi feito...

A ideia principal tem de ser a libertação das linhas de água: ribeiras e ribeiros! Não escondam as ribeiras nem os ribeiros...

Foz da Ribeira de S. João: A ribeira tem de ficar descoberta! Rebentemos com tudo o que cobre a ribeira e estude-se a melhor maneira de substituir a Rotunda do Infante.
Foz das Ribeiras de Santa Luzia e de João Gomes: Destrua-se as pontes da Praça da Autonomia e a própria Praça...
Na foz das três Ribeiras referidas, construam-se pontes mais elevadas (em arco) devidamente enquadradas na paisagem (difícil, mas...).... A Avenida do Mar tem de permitir o escoamento da água das Ribeiras...

EGP, FX. 21.02.2010 22:20

Grandes Males, pequenos remédios (2)

Outra questão tem a ver com os pequenos ribeiros... São tão pequenos, os ribeiros... Resolveram escondê-los... Vejam o que aconteceu...

O Ribeirinho da Pena, O Ribeiro da Rua do Comboio, da Rua do Pombal/Til, da Nora... Respeitemos os pequenos ribeiros, quando não chove... A ver se eles nos respeitam em dias de chuva intensa!

Tem de haver uma discussão muito séria sobre o que aconteceu, o que foi feito de mal na ocupação do solo e, muito importante, que soluções para os problemas... Vai tornar a chover muito, garanto!



domingo, 21 de fevereiro de 2010

Tempestade na ilha da Madeira I


O regresso brutal à realidade neste país.






O encontro de uma massa de ar muito frio, oriunda da Terra Nova, com uma massa de ar quente, a sul, criou uma superfície frontal no oceano Atlântico, entre Cuba e Marrocos, com nuvens que atingiram 12 a 14 km de altura. O sul da ilha da Madeira ficou no caminho desta frente nebulosa:





O Instituto de Meteorologia já previa para o Funchal um valor de precipitação elevado. Pelas 19.25 de sexta-feira foi emitido o aviso amarelo de precipitação que corresponde à queda de 10 a 20 milímetro de chuva por hora. Dados oriundos do satélite permitiram antever um agravamento da situação e pelas 8.52 de sábado, dia do temporal, o aviso mudou para laranja (queda de chuva entre 21 e 40 mm/h), passando apenas às 10.00 para vermelho (queda de chuva acima de 40 mm/h).
Foi entre as 9 e as 10h que a estação Funchal-Observatório registou o valor máximo de precipitação por hora: 52 mm/h. O valor acumulado entre as 6 e as 11h foi 108 mm.
Na estação Pico do Areeiro registou-se o valor máximo de 58 mm/h, obtido entre as 10 e as 11 h, e o valor acumulado entre as 6 e as 11h foi 165 mm.







Milhões de litros de água desceram pelas escarpas a grande velocidade e foram parar a ribeiras apertadas entre muros e que, para agudizar a tragédia, atravessam entubadas a baixa do Funchal.
A ignorância científica e técnica dos decisores no ordenamento do território aliou-se, assim, à violência da tempestade para avolumar a catástrofe face às cheias de 1993 (8 mortos e uma centena de desalojados).

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Evasão II - Uma missão espacial para alunos 10-13 anos


A NASA dá-te a possibilidade de projectares a tua missão espacial.

Começa por desenhar a tua imagem de cientista (ou engenheiro), depois constroi o teu laboratório e a tua nave espacial.
Escolhe o destino e lança o foguetão.
Finalmente, quando a nave estiver numa órbita à volta do planeta que escolheste, dá-lhe instruções para recolher os dados. Repara que a informação é enviada para o teu laboratório como uma sucessão de 0's e 1's.

Bom trabalho!


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Evasão I - Tranquilidade





Parte da Estação Espacial Internacional foi captada numa fotografia pela sua tripulação. Como pano de fundo, o planeta Terra a flutuar no espaço.

Fotografia:NASA/Reuters



Uma fotografia do Público que convida à evasão.

A quem interessa a privatização das escolas públicas? II



Em resposta à notícia publicada hoje no Público, sobre a privatização das escolas do ensino secundário, transcreve-se um excelente comentário que acusa certos políticos de andarem a dormitar e propõe a criação de círculos uninominais:


Anónimo, Portugal. 17.02.2010 09:38
O Bloco chega tarde, muito tarde!

O Bloco chega tarde, muito tarde. Se tivesse participado no Congresso NextRev (A Próxima Revolução), na Gulbenkian, em 2008, teria percebido que a privatização vinha a caminho e em força.

Pergunto-me onde é que os partidos às vezes andam e o que andam a fazer. Então ninguém ainda perguntou na Assembleia da República por que razão há somente uma única empresa com o bolo da renovação das escolas na mão? Por acaso sabem onde estão implantadas as escolas? Calculam que o metro quadrado dos locais de implantação é elevadíssimo?
Onde é que andam os partidos? Basta entrar na internet e ler: «A parque escolar, EPE, criada pelo Decreto – Lei n.º 41/2007, de 21 de Fevereiro, é uma pessoa colectiva de direito público de natureza empresarial». Já lá vão três anos e o bloco só agora vai interpelar?
A revolução começou em 2007, prosseguiu em 2008 e, só para alguns distraídos, estamos em 2010. E só agora é que o Bloco acorda e vai interpelar a Ministra da Educação, já a procissão vai no adro e sem retorno à capela? Bem… vou aceitar em absoluta resignação que mais vale tarde do que nunca!

Quando é que será que eu vou poder falar directamente com o representante do meu distrito na Assembleia da República e perguntar-lhe o que é que anda a fazer em determinadas matérias? Chegou a hora de uma democracia verdadeiramente representativa!


terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A quem interessa a privatização das escolas públicas?



A empresa pública Parque Escolar foi criada pelo DL 41/2007 para realizar um programa de obras nas escolas públicas, justificado com a necessidade de adaptar as instalações escolares ao uso das novas tecnologias e às novas normas de climatização e ruído.

" Todas as escolas que estiveram, estão ou virão a estar em obras, no âmbito do programa de modernização dos seus edifícios tutelado pela Parque Escolar, vão deixar de integrar o património do Estado para passar a ser propriedade daquela entidade pública empresarial ", indicou ao PÚBLICO o seu presidente, João Sintra Nunes.

Mais acrescenta que 332 das 445 escolas públicas de Portugal continental que têm ensino secundário receberão obras de beneficiação, donde se conclue que a transferência de propriedade para a Parque Escolar afectará 3/4 das escolas com secundário e será feita " à medida que as escolas vão sendo modernizadas ".

Neste momento a empresa já é a proprietária de sete escolas, entre as quais os antigos liceus Pedro Nunes e Passos Manuel, em Lisboa, e Rodrigues de Freitas, no Porto. Fica, assim, na posse de terrenos e imóveis que ocupam milhares de metros quadrados em zonas centrais das cidades.

Teoricamente a transferência de propriedade do Estado para as empresas públicas tem como objectivo diminuir as despesas no Orçamento do Estado, pois será a Parque Escolar que terá de gerir os imóveis.
A questão é que o património da empresa pode ser utilizado como aval para contrair empréstimos: já existe um empréstimo de 300 milhões de euros, estando previstos outros dois num montante de 850 milhões.


Além disso as empresas públicas têm de obedecer a muito menos requesitos do que o Estado quando se trata de alienar património. E nos últimos anos várias empresas públicas foram privatizadas para pagar o défice do Estado.

Portanto não adianta escamotear que, no futuro, os antigos liceus poderão converter-se em colégios privados e exigirem mensalidades fora do alcance da maioria das famílias, que verão os seus filhos afastados dessas boas escolas e empurrados para outras de fraca qualidade nos subúrbios das cidades.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Plano inclinado XIII - Economia e finanças nacionais e internacionais





Einstein's unfinished symphony II


O anterior vídeo proporcionava o prazer de ver o documentário da BBC completo e num único fôlego. Mas a empresa accionou os seus direitos autorais. Paciência. Fica o que resta.













sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Einstein's unfinished symphony



A documentary on the ideas and life of the late Albert Einstein.

discoveryourworld



He had the good fortune to live in a time when people took off their hats when a man died.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Libertar o futuro



... e devolver a esperança.






"(...) Tem de arrojar-se com uma revolução na Educação que, em vez de estar centrada no combate corporativo aos professores, rejeite por todos os meios o facilitismo e a estatística, promovendo os grandes valores da escola - a transmissão do conhecimento, a exigência, a autoridade dos professores e a autonomia da gestão. (...)"


Parece haver sinceridade nestas palavras e também a determinação e a vontade necessárias para enfrentar os problemas com que se debate a escola pública.
Transformada em armazém de crianças e adolescentes, com os docentes a servirem de animadores culturais e passadores de diplomas, será preciso muita coragem para retomar o objectivo da escola que é a transmissão do conhecimento entre as sucessivas gerações e a formação dos adultos que não se qualificaram em devido tempo.

Mas depois de tantos anos de marketing político prefere-se esperar pela prática: é que autonomia, com entrega do ensino não superior ao poder local, é a solução miraculosa que os políticos inventaram, nas torres de marfim onde vivem, para se livrarem das confusões e complicações da escola pública.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Plano inclinado XII - Orçamento para o Ensino Superior






"É a educação que pressiona o desenvolvimento económico". E não o inverso.

É a conclusão a que chegaram os autores de recente relatório da OCDE, The High Cost of Low Educational Performance, dois economistas que estudaram a relação entre educação e desenvolvimento económico, baseando-se em dados disponibilizados nos últimos 40 anos pelos países que integram esta organização.
Concluíram também:

" (...) o que interessa é a qualidade do que se ensina e do que se aprende, não é a duração da escolaridade".

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Nanotecnologia



Os nanofios de que se fala no anterior artigo são fios com diâmetro da ordem de 1 nanómetro, i.e. 1 milionésimo do milímetro. A tecnologia que produz estes fios chama-se, por isso, nanotecnologia e tem o objectivo de construir objectos ou mecanismos com dimensões da ordem do nanómetro e cujas peças são moléculas.

Em 2011 começará a funcionar em Braga um centro de investigação, o International Iberian Nanotechnology Laboratory (INL) que pretende desenvolver novos nanoprodutos.




•O campus do futuro INL vai ocupar uma área com cerca de 47 000 m2
•Junto do rio Este
•Perto da Universidade do Minho

Os primeiros projectos dirigir-se-ão para as seguintes áreas prioritárias de investigação:

-Nanomedicina.
-Segurança e monitorização do ambiente e controlo de qualidade dos alimentos.
-Nanodispositivos electrónicos.
-Nanomáquinas e nanomanipulação.






Nanodispositivo para libertar in situ (glóbulo vermelho do sangue) o medicamento.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Displax Multitouch Technology



A tecnologia multitoque Displax transforma qualquer material não-condutor numa superfície interactiva pelo toque.

Consiste numa rede de nanofios embutida numa película de polímero transparente e mais fina que uma folha de papel. Pode aplicar-se sobre uma enorme variedade de superfícies planas ou curvas de vidro, plástico ou madeira.

Permite detectar 16 dedos simultaneamente em ecrãs até 50 polegadas. Quando se toca com um dedo no ecrã, ou se sopra sobre a superfície, cria-se uma pequena perturbação eléctrica que é detectada permitindo ao microprocessador do controlador identificar o movimento ou a direcção do fluxo de ar.




Com dimensões entre 35 cm e 3 m de diâmetro, a espessura de 100 mícron e peso até 300 g vai converter vitrinas em superfícies sensíveis ao toque, permitindo a criação de painéis de informação ou o desenvolvimento de interfaces inovadoras para a indústria de telecomunicações, farmacêutica e também na banca e museus.

Esta tecnologia foi desenvolvida pela empresa portuguesa Edigma, com sede em Braga, e apresentada esta semana na feira Integrated Systems Europe dedicada a profissionais das áreas dos audiovisuais e integradores de sistemas electrónicos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Fab Labs



Uma ideia magnífica: instalar uma rede de Fab Labs em Portugal.

Apreciem a feitura desta cadeira:




terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Por quem defende a qualidade do ensino



Transcreve-se o artigo de opinião (censurado) de quem é perseguido por defender o futuro do país e a qualidade do seu ensino:

O Fim da Linha

Mário Crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)". É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.


Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O "Admirável Mundo Novo" de António Barreto



À proposta de António Barreto de entrega do ensino básico e secundário ao poder local, a resposta culta e lúcida de um encarregado de educação profundamente conhecedor da realidade social portuguesa:


A Educação em Portugal: O "Admirável Mundo Novo" de António Barreto

Salvador Costa


Numa recente entrevista António Barreto defendeu que a Educação em Portugal devia ser transferida para as escolas e as autarquias e o Ministério da Educação ter uma intervenção "residual": definir o currículo nacional e a fiscalização. E terminou a frase com: "ponto final".
Ou seja, António Barreto defende um modelo de escola-comunidade sem atender à realidade social do país:

1- Um dos aspectos fundamentais da qualidade do ensino público é o aprofundamento da autonomia da gestão e administração das escolas, assente em lideranças profissionalizadas e em contratos de autonomia celebrados com o Ministério da Educação.

2- A certificação de competências e o recrutamento de docentes centradas no Ministério da Educação e nas escolas (modelo actualmente vigente) de modo a assegurar o máximo de imparcialidade, qualidade e transparência nos critérios de selecção do corpo docente.

3- O reforço das competências e o alargamento da participação das associações de pais e encarregados de educação como parceiros educativos principais da gestão escolar.

4- Atendendo às fragilidades estruturais que caracterizam o poder local a nível da falta de eficácia da decisão administrativa e da corrupção (no seu sentido mais lato), proceder-se a uma profunda reforma da Administração Pública Local que assegure a eficácia da decisão administrativa, o rigor e qualidade da gestão dos serviços públicos, o reforço dos mecanismos de prevenção e penalização da corrupção e do enriquecimento ilícito.

5- Passar um "cheque em branco" para as autarquias em matéria tão nobre e importante para o país como é a Educação, é introduzir na gestão do sistema de ensino público factores de ineficácia e de eventual deturpação dos seus valores essenciais por motivos de ordem político-partidária, compadrio, tráfico de influências e outros desvios à racionalidade do sistema e à ética da actuação dos seus protagonistas.

6- Em termos organizacionais, António Barreto defende a transferência das competências da Educação de uma empresa estatal (Ministério da Educação) com uma estrutura hierárquica e de liderança consolidadas, um forte apoio logístico em termos de estabilidade financeira (orçamento do Estado), recursos humanos, tecnológicos e científicos, com uma responsabilidade social perfeitamente identificada em termos de missão e valores (Lei de Bases do Sistema Educativo); para "pequenas e médias empresas" (autarquias locais), com elevados níveis de endividamento, sem recursos humanos qualificados (salvo raras excepções), sem um compromisso ético assumido em termos de missão e valores, dependentes de programas político-partidários e de interesses das clientelas das lideranças locais. Sem um controlo eficaz e atempado da qualidade da gestão e da legalidade das decisões tomadas na área da Educação.

7- As fragilidades do modelo defendido por António Barreto face ao país real, passo a enumerar com conhecimento pessoal e documentado a título de cidadão e encarregado de educação.
Dr. António Barreto, neste Portugal democrático, de que V. Exa. é um dos principais estudiosos sociais, nesta data em que se comemora a Implantação da República em Portugal, a aplicação do seu modelo de escola-comunidade trouxe as seguintes inovações ao sistema de ensino público:

Há alunos que pagam o preço legal da refeição escolar, outros pagam um preço inferior, outros estão isentos do pagamento de qualquer valor, tudo depende da vontade, sensibilidade e oportunismo político dos autarcas. Há alunos a quem lhes é servido uma única salsicha acompanhada de arroz, ou somente metade de uma peça de fruta porque o autarca em questão poupa na alimentação das crianças para fazer obras ou eventualmente para benefício pessoal. Funcionárias de cantinas escolares com contratos precários e salários em atraso. Subsídios de material escolar que só são entregues em meados do segundo período escolar, enquanto há autarquias que pagam a totalidade dos manuais escolares dos alunos, independentemente do rendimento do seu agregado familiar.
Escolas que funcionam em situações precárias ou mesmo sem as devidas condições de segurança porque as funcionárias contratadas pela autarquia ou são em número insuficiente para o número de alunos ou com reduzido horário de trabalho (quatro horas por dia). Há alunos do primeiro ciclo que não têm Inglês porque a professora contratada está de baixa por motivo de licença de maternidade e a autarquia não recruta uma professora de substituição. Há alunos que passam frio durante dias seguidos porque há um litígio pessoal ou político entre o presidente da junta de freguesia que gere as instalações da escola e o presidente da câmara ou o vereador da educação.
Há professores que são contratados para as actividades extra-curriculares em que são apontadas razões de favorecimento por motivos pessoais ou políticos em relação a candidatos mais qualificados e experientes.
Há associações de pais e encarregados de educação que sofrem pressões e boicote para impedir a sua legítima representação nos órgãos locais que tratam assuntos da área da educação (CPCJ, CME) em que a súmula dos elementos que os constituem, tirando os legítimos parceiros sociais afectos ao Poder Central, são os comissários políticos, os amigos e a clientela da liderança autárquica.

É este o Admirável Mundo Novo do modelo da escola-comunidade que defende António Barreto.

8- Sem que os pais e encarregados de educação tenham a liberdade de escolha da escola em que pretendem inscrever os educandos, ficando assim reféns de um bom ou mau mandato autárquico a nível da gestão das questões da Educação.

9- Criando por todos os factos acima enunciados, manifestas condições de desigualdade e ineficácia no sistema de ensino público, pela sua eventual subordinação aos interesses das lideranças político partidárias locais e respectivas clientelas.

10- Esperemos que outros, tenham o bom senso de efectuar um profundo e detalhado estudo da realidade política e social da Administração Pública Local de modo a assegurar o futuro do país por um sistema de ensino público de qualidade. E não tentar adoptar um modelo teórico de sistema de ensino que na prática, no estado de desenvolvimento colectivo do país, pode redundar num tremendo disparate.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Isaac Newton III - É uma honra para a espécie humana que um tal homem tenha existido





Sepultado na abadia de Westminster, pode ler-se no seu epitáfio (séc. XVIII),

Mortals rejoice that there has existed such and so great an ornament of the human race!

que actualmente se traduz por:

É uma honra para a espécie humana que um tal homem tenha existido.





Isaac Newton II - A gravitação universal




William Stukeley permite-nos apreciar o diáfano pensamento de Newton:

"After dinner, the weather being warm, we went into the garden and drank thea under the shade of some appletrees; only he, and myself. Amidst other discourse, he told me, he was just in the same situation, as when formerly, the notion of gravitation came into his mind. Why should that apple always descend perpendicularly to the ground, thought he to himself; occasioned by the fall of an apple, as he sat in a contemplative mood. Why should it not go sideways, or upwards? But constantly to the earth’s center? Assuredly the reason is, that the earth draws it. There must be a drawing power in matter. And the sum of the drawing power in the matter of the earth must be in the earth’s center, not in any side of the earth. Therefore does this apple fall perpendicularly or toward the center. If matter thus draws matter, it must be in proportion of its quantity. Therefore the apple draws the earth, as well as the earth draws the apple .

Thus by degrees, he began to apply this property of gravitation to the motion of the earth, and of the heavenly bodys: to consider their distances, their magnitudes, their periodical revolutions: to find out this property, conjointly with a progressive motion impressed on them in the beginning, perfectly solved their circular curves ... "



A queda de uma maçã dá início a uma linha de pensamento, que terminou com a publicação dos Principia Mathematica em 1687.




quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Isaac Newton I - Como ler a primeira biografia sem sair de casa


The Royal Society criou a galeria Turning the Pages onde apresenta facsimiles digitais de alta qualidade de manuscritos.
O carácter inovador está na aplicação informática Turning the Pages 2.0 que dá ao leitor o deleite de folhear as páginas desses manuscritos.

Escolhendo a primeira biografia de Isaac Newton, Memoirs of Sir Isaac Newton’s life, por William Stukeley, e virando as páginas com o rato, pode ler-se, na página 15, a versão original da história da queda da maçã que o genial físico-matemático quis ligar à descoberta da gravitação universal.


Woolsthorpe Manor, local do nascimento de Sir Isaac Newton e onde terá observado muitas quedas de maçãs


Trata-se de um manuscrito inglês do séc. XVIII, com uma caligrafia magnífica e uma escrita envolvente, que se lê com um prazer inolvidável:

After dinner, the weather being warm, we went into the garden and drank thea under the shade of some appletrees; only he, and myself. Amidst other discourse, he told me, he was just in the same situation, as when formerly, the notion of gravitation came into his mind.

"Why should that apple always descend perpendicularly to the ground", thought he to himself; occasioned by the fall of an apple, as he sat in a contemplative mood.

"Why should it not go sideways, or upwards? But constantly to the earth’s center? Assuredly, the reason is, that the earth draws it. There must be a drawing power in matter. And the sum of the drawing power in the matter of the earth must be in the earth’s center, not in any side of the earth. Therefore dos this apple fall perpendicularly or toward the center. If matter thus draws matter, it must be in proportion of its quantity. Therefore the apple draws the earth, as well as the earth draws the apple."

Ao contrário do que sucede com as Lendas e Narrativas, de Alexandre Herculano, um texto escrito no séc. XIX cuja leitura é mais difícil devido aos tratos de polé sofridos pela ortografia da língua portuguesa. Eis um excerto da graciosa lenda A Dama Pé-de-Cabra:

D. Diogo Lopes era um infatigavel monteiro: neves da serra no inverno, soes dos estevaes no verão, noutes e madrugadas, disso se ria elle.

Pela manhan cedo de um dia sereno, estava D. Diogo em sua armada, em monte selvoso e agreste, esperando um porco montês, que, batido pelos caçadores, devia saír naquella assomada.

Eis senão quando começa a ouvir cantar ao longe: era um lindo, lindo cantar.

Alevantou os olhos para uma penha que ficava fronteira: sobre ella estava assentada uma formosa dama: era a dama quem cantava.

O porco fica desta vez livre e quite; porque D. Diogo Lopes não corre, voa para o penhasco.

«Quem sois vós, senhora tão gentil; quem sois, que logo me captivastes?»

(...)

Quando pela manhan cedo o conde Argimiro, do seu balcão principal, ordenava que levassem o corpo da condessa a um mosteiro de donas, que elle fundara para ahi ter seu moimento, elle e os de sua casa, e dizia aos homens de armas que arrastassem o cadaver de Astrigildo e o despenhassem de um grande barrocal abaixo, viu um onagro silvestre deitado a um canto do pateo.

«Um onagro assim manso é cousa que nunca vi — disse elle ao víllico, que estava alli ao pé. — Como veio aqui este onagro?»

O víllico ía a responder, quando se ouviu uma voz: dir-se-hia que era o ar que falava.

«Foi nelle que veio Astrigildo: será elle que o levará. Por ti ficaram orphãos os filhinhos do onagro, mas por via do onagro ficaste, oh conde, deshonrado. Foste cru com as pobres feras: Deus acaba de vingá-las.»

«Misericordia!» — bradou Argimiro, porque naquelle momento se lembrou da maldicta caçada.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O sismo no Haiti II - Coragem e abnegação


A coragem dos sobreviventes e a abnegação dos socorristas:












O sismo no Haiti I - O fenómeno tectónico



No hipocentro do sismo de 12 de Janeiro, no Haiti, ocorreu um deslocamento horizontal com a amplitude máxima de 4 m entre as placas tectónicas das Caraíbas e da América do Norte, ao longo da falha Enriquillo-Plantain Garden. Não houve um maremoto pelo facto do movimento ter sido predominantemente horizontal.

O sismo do Haiti teve magnitude 7. Foi devastador porque a libertação de energia ocorreu apenas a 13 km da superfície.
Nesta região não ocorria um terramoto há cerca de 150 anos.







O palácio presidencial
Uma montagem mostra o palácio presidencial do Haiti, depois e antes do sismo. O primeiro-ministro do país afirmou que poderão ter morrido mais de cem mil pessoas.

Fotografia:Eduardo Munoz/Reuters


A barragem do Alqueva atingiu a cota máxima



No passado dia 12 de Janeiro a barragem do Alqueva atingiu a cota máxima de 152 m e começou a fazer descargas.





Está a passar 400 m3/s de água pelas turbinas para produção de energia eléctrica e 600 m3/s pelas comportas de descarga.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Eclipse do Sol em África e Ásia







O eclipse solar começou às 5:00 (hora de Portugal continental).
O cone de sombra passou pela República do Congo, Uganda, Quénia, atravessou o oceano Índico e chegou à Ásia.
Segundo a Agência Espacial norte-americana (NASA) foi o mais longo do milénio, tendo atingido a duração máxima na Ásia: 11 minutos.





A olhar para o céu

Uma mulher usa uns óculos especiais para ver o eclipe solar na cidade de Rameswaram, no Sul da Índia.

Fotografia:Rupak De Chowdhuri/Reuters


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Acordo no Ministério da Educação -- II






O acordo foi enviado pelo ME para as escolas hoje de manhã.


Acordo no Ministério da Educação





Oito associações sindicais, incluindo a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), que representa quase 70 por cento da classe, e a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), chegaram a acordo esta madrugada com o ministério de Isabel Alçada.

Ler aqui.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O arrefecimento global



O jornal Público está a publicar uma sucessão de fotografias que recolhemos:



Um manto branco gelado
Um manto de gelo cobre o percurso entre o lago e o palácio de Charlottenburgo, em Berlim, fazendo com que o maior palácio da capital alemã pareça acessório na paisagem. A neve não pára de cair na capital alemã nos últimos dias.

Fotografia: Fabrizio Bensch/Reuters





36 graus abaixo de zero
Com uma temperatura ambiente de 36 graus negativos, um vigilante caminha ao longo das margens do rio Ienisei, perto da cidade russa de Krasnoiarsk, na Sibéria.

Fotografia:Ilya Naymushin/Reuters





Forte nevão
Dezenas de polícias preparam-se, com pás nas mãos, para retirar a neve que bloqueou um comboio em Shangdu, na Mongólia Interior, região autónoma da República Popular da China. As autoridades locais destacaram dez mil pessoas para as zonas onde caiu o nevão para ajudar a limpar as estradas e linhas de caminho de ferro.

Fotografia:China Daily/Reuters





Nuvem-rolo no Uruguai
A fotógrafa uruguaia Daniela Eberl capturou a rara imagem de uma nuvem em forma de rolo, sobre a praia de Las Olas, em Punta del Este, no Uruguai. Estas nuvens estão normalmente associadas a uma frente fria e podem estender-se por muitos quilómetros.

Fotografia:Daniela Eberl/Creative Commons





Stonehenge coberto de branco
O cromeleque de Stonehenge, no sul de Inglaterra, não escapou ao manto branco que as baixas temperaturas fizeram cair sobre o território britânico. As temperaturas chegaram aos 13 graus negativos. Há 30 anos que não fazia tanto frio.

Fotografia: Kieran Doherty/Reuters





Reino Unido escondido pela neve

Fotografia:NEODAAS/University of Dundee



A revisão do ECD e o modelo de avaliação


A quase totalidade dos directores eleitos ao abrigo da actual legislação (DL 75/2008) adquiriram conhecimentos de administração escolar nos conselhos executivos, não têm formação teórica em gestão, nem pretendem adquiri-la, pois sabem que o ME criará umas acções de pseudo formação e virá propalar para a comunicação social que quase todos são muito bons ou excelentes.

Prevê-se, por isso, que muitos tenham dificuldades em gerir recursos humanos o que, obviamente, se reflectirá nos coordenadores dos departamentos por eles nomeados, que por sua vez nomearão os relatores. Estes farão a observação de aulas dos docentes que o requererem pois é, e muito bem, condição sine qua non para aceder às classificações de Muito Bom e Excelente.
Imaginemos alunos a avaliarem os seus colegas de turma e teremos uma ideia do que se vai passar. Vai continuar o fartar vilanagem deste último biénio escolar 2007/2009 em que os muitos bons e excelentes foram atribuídos quase em exclusividade aos avaliadores.

O resultado será o aparecimento nos blogues dos professores de Quadros de honra e Quadros negros de escolas que pesarão fortemente na selecção de escolas por parte dos docentes aquando dos concursos quadrienais de colocação de docentes, tanto mais que se arriscam a perder dois ciclos consecutivos de avaliação. Isto originará uma migração dos que realmente são melhores professores para os agrupamentos/escolas não agrupadas onde a avaliação seja feita por mérito.

Como, necessariamente, terá reflexo nos resultados dos alunos nos exames nacionais, essas escolas subirão no ranking e os encarregados de educação que se preocupam com a formação dos seus filhos passarão a matriculá-los nessas escolas. Será uma dupla vantagem para os docentes, porque além de usufruírem de uma avaliação por mérito, também poderão trabalhar com alunos e encarregados de educação empenhados no sucesso escolar, o que não é, de modo algum, apanágio dos portugueses.

Com o decorrer do tempo o conjunto das escolas partir-se-á em duas classes com grande diferenciação de resultados dos alunos. E também na qualidade do corpo docente: numa concentrar-se-ão os professores com inclinação para ensinar e na outra os vocacionados para a animação cultural.
Haverá escolas publicas que entrarão em competição com os melhores colégios privados, tal como sucedia antes do 25 Abril com os liceus Pedro Nunes, Camões, D. Filipa de Lencastre, Rainha Dona Leonor, … , cujos alunos quando chegavam à universidade competiam denodadamente com os provenientes do Colégio Militar e do Instituto de Odivelas.

Mas o que sucederá até ao concurso de 2013? Haverá uma guerra feroz entre os docentes nos índices 245, 299 e 340, com os avaliadores (coordenadores e relatores) de índice 245 a procurarem eliminar os docentes melhor posicionados do que eles, por isso discorda-se em absoluto da figura do júri de recurso interno que será completamente ineficaz.
Deveria ser substituído — se os sindicatos consentissem — por um júri de recurso externo escolhido no ensino politécnico público se o docente tivesse feito a sua formação no ensino politécnico e nas universidades publicas se o grau académico do docente fosse obtido no ensino universitário.

De notar que o Estatuto da Carreira do Pessoal Docente do Ensino Superior Politécnico consigna no Artigo 22.º d) que os júris de certos concursos “ … devem ser compostos maioritariamente por individualidades externas à instituição de ensino …”.
Analogamente
na carreira universitária o novo estatuto introduz a obrigatoriedade de concursos internacionais para professores, com júris maioritariamente externos à instituição.

Bem faria a senhora ministra Isabel Alçada em reflectir sobre os motivos que terão levado o Professor Mariano Gago a introduzir tal preceito …